Os meus olhos


 

Os meus  olhos  São um barco

de papel galgam o rio 

perdem  as  margens e a meio

da viagem ganham asas nos frágeis

limites de um corcel junto as nuvens 


o mesmo rio è já outro e os meus olhos

inventam nos teus o rumor da água no

canto íntimo de um corcel no espelho

da planície do  rio corpo da terra

sagra - se de verão nas tardes desertas

de pássaros incendiados e nas estradas 

incendiadas de desejos da respiração

o eco dos instantes que foram meus

e teus no ar as cores do jasmim prelúdio

de primavera o eco dos passos acordes de

 um violino suspenso sobre a cidade


telhados de saudades o eco dos passos os meus

sonhos teus ternura sonhos

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